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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Provas para a EJA – Online a partir do próximo dia 24


As provas para a EJA – Online serão aplicadas no período de 24 de setembro a 02 de dezembro. A realização dos exames segue um cronograma, em quatro etapas distintas, de forma alternada. Duas etapas contemplarão o Ensino Fundamental. As outras duas, o Ensino Médio, com a oferta de seis disciplinas em cada fase.

O período de inscrições para a 1ª etapa do Ensino Fundamental, iniciado no dia 8, termina nesta terça-feira (15). A inscrição é voluntária e gratuita, destinada aos jovens e adultos que não tiveram oportunidade de concluir seus estudos em idade própria. O Exame poderá ser realizado para pleitear certificação no nível de conclusão do Ensino Fundamental, para quem tem no mínimo 15 anos completos. Para o nível do Ensino Médio, é necessário ter no mínimo 18 anos completos no ato da inscrição para as provas.

A secretária da Educação, professora Ana Seres, destaca que a educação voltada a jovens e adultos é muito importante e contribui para a inclusão e melhoria das oportunidades no mercado de trabalho. 

Os interessados deverão se inscrever em uma das escolas de Educação de Jovens e Adultos do Paraná. Cada instituição de ensino, credenciada para ofertar os Exames online, terá vagas limitadas e fará uma classificação dos candidatos inscritos de acordo os critérios estabelecidos no Edital. Os exames acontecerão de forma presencial em laboratórios de informática vistoriados e homologados pelas Coordenações Regionais de Tecnologia Educacional e pela Secretaria de Educação do Paraná.

Os candidatos que desejarem condições especiais para a realização da prova deverão assinalar esta opção no Requerimento de Inscrição e relacionar as condições que julgarem necessárias.

Confira as datas para inscrição:


EtapaInscriçãoProva
1.ª -Ensino Fundamental08/09 à 15/0924/09/2015
3.ª -Ensino Médio01/10 à 09/1020/10/2015
2.ª -Ensino Fundamental03/11 à 09/1118/11/2015
4.ª -Ensino Médio16/11 à 23/1102/12/2015


Consulte o Edital e a relação das instituições de ensino credenciadas para ofertar os Exames Estaduais de EJA/2015:

edital EJA online 2015
Abertura das inscrições dos exames da EJA no Paraná, em nível de conclusão do Ensino Fundamental e Ensino Médio - on-line.

Por http://www.educacao.pr.gov.br/

Alunos produzem programa de rádio com notícias da escola


As notícias do Colégio Estadual Frederico Guilherme Giese, de Piên, na Região Metropolitana de Curitiba, circulam por toda a cidade de 11 mil habitantes e chegam até os municípios vizinhos no estado de Santa Catarina. Os alunos da escola apresentam um programa na Rádio Caiçara FM todos os sábados, às 11h.


A atividade começou em 2013 e ajuda os alunos a se manterem informados sobre os assuntos que envolvem a educação, além dos fatos importantes que são debatidos pela mídia na região, no Brasil e no mundo. O programa “Conexão Giese” conta com a participação de oito alunos do ensino médio, com idade entre 15 e 17 anos.



Os estudantes que se destacam com uma boa leitura e têm disponibilidade para participar do projeto são escolhidos para fazer o programa. De acordo com a professora de Filosofia Claudiana Lang, que coordena o projeto, o objetivo é levar informações sobre o que acontece na escola aos pais e para a comunidade em geral. “Tratamos de temas que influenciam os jovens, assuntos que envolvem a educação em si e outros que estão na mídia”, explicou a professora Claudiana.



A direção e a equipe pedagógica do colégio também participam com recados e informações a cada programa. A aluna Letícia Aparecida Suerst, 16 anos, do 3º ano, disse que foi através do projeto que se interessou em participar do grêmio estudantil do colégio. Ela é locutora do programa.



“Temos uma abrangência cultural bem grande fazendo o programa. A gente tem um aprendizado bem maior participando da rádio, estudamos bastante o conteúdo que vamos abordar”, disse Letícia. Atualmente, os alunos falam sobre o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), desde os detalhes sobre o edital do exame até as datas das provas.



“Também informamos sobre as datas dos vestibulares, que muitos alunos não sabem direito. Os estudantes do colégio participam, sugerem temas e músicas”, conta Letícia, que pretende fazer o vestibular para Direito. “A rádio me ajudou bastante na escolha do curso que vou fazer, vi que gosto bastante de falar”.



Simony Aparecida Cantelle, 17 anos, do 3º ano, também é locutora. Durante a semana elas conversam com a professora Claudiana para combinar os assuntos de cada edição. As pesquisas são feitas em casa. “Desde o início evoluímos bastante. Agora a gente consegue se expressar bem melhor. A rádio me ajudou neste ponto, agora sou bem mais comunicativa. No vestibular estou pensando em fazer Psicologia ou Jornalismo”, disse Simony.



No último programa os alunos falaram sobre imigração, em razão dos problemas dos refugiados na Síria. “Fazer o programa da rádio nos ajuda a ficar mais informados e isso contribui bastante no vestibular e no Enem, pois sempre estamos discutindo os assuntos do momento”, definiu Simony.

Por http://www.educacao.pr.gov.br/

sábado, 12 de setembro de 2015

A imagem Fotográfica como recurso didático nos anos iniciais

Celso Ap. da Silva
Este artigo teve como objetivo realizar um levantamento bibliográfico na literatura de textos produzidos entre os anos de 2000 e 2014, e apresentar sobre o uso de imagens fotográficas como ferramenta pedagógica, como também sua utilização no ensino da Educação Física no sentido de oferecer subsídios teóricos e práticos ao trabalho docente.
foto-revista-professorA escolha do tema foi pensado a partir das vivências sobre um trabalho desenvolvido durante três anos, numa escola pública na cidade de Maringá, Estado do Paraná, como professor da disciplina de Educação Física. Neste período, vivenciamos várias metodologias de ensino e tivemos a oportunidade de observar por meio da proposta que fizemos em utilizar as imagens fotográficas dos alunos nas atividades pedagógicas, o fascínio que tais imagens despertavam nos alunos quando tal metodologia era utilizada em sala de aula. Neste sentido, percebemos na prática, o quanto lançar mão deste recurso foi proveitoso para o desenvolvimento do Esquema Corporal, Lateralidade, Estruturação Espacial, Orientação Temporal e Pré-Escrita.
O uso da fotografia na prática pedagógica não se deu aleatoriamente, nem com imposição, mas partiu do próprio interesse dos alunos, onde pude constatar nas atividades de autorretrato, lateralidade, noção espacial, como também na confecção de jogos memória, quebra- cabeça, jogo da velha, sudoku, dominó entre outros utilizando-se da própria foto dos educandos.
Tais experiências contribuíram para análise e reflexão de como o uso da imagem fotográfica da criança como ferramenta pedagógica, pode promover o reconhecimento e construção da autoimagem, além de favorecer as trocas e a percepção do outro e, das igualdades e diferenças como também propiciar situações de interação.
A metodologia utilizada para a realização deste trabalho foi uma pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos (GIL, 2002). Complementa Barros e Lehfeld (1990), que a pesquisa bibliográfica é de grande valor, pois permite obter conhecimento já classificado em bibliotecas, editoras e outros meios pertinentes.
O início da busca das referências ocorreu na base eletrônica LILACS incluindo publicações em idioma português, inglês e espanhol, na qual foi realizada uma seleção dos periódicos mais representativos, produzidos entre os anos de 2000 e 2014. Conforme consulta realizada no período de Janeiro a Abril de 2015, para organização das informações contidas nas publicações científicas determinou-se que os artigos selecionados para o universo de análise seriam os publicados entre os anos 2000 e 2014, entendendo que este seria um período representativo da produção bibliográfica da última década.
Nesse levantamento dos artigos, estabeleceu-se como critério de seleção a presença dos seguintes termos: “Imagens Fotográficas como Recurso Didático” e “Imagens Fotográficas no ensino da Educação Física”. Assim, quando um artigo apresentava um ou mais termos era realizada uma leitura parcial, a fim de verificar o contexto em que aquele termo estava inserido no texto. Somente após essa revisão, o artigo era selecionado.
Na segunda etapa da pesquisa optou-se por analisar apenas os artigos que contêm o termo “Imagens Fotográficas como Recurso Didático” e “Imagens Fotográficas no ensino da Educação Física”, o universo investigado, compreendeu um total de 82 artigos. Destes artigos, somente 14 foram relevantes por responder as questões desse estudo. Os dados revelam que no conjunto de trabalhos analisados, segundo os descritores propostos para a seleção das produções científicas, o tema vem apresentando crescente número de publicações ao longo dos anos, embora tenha se verificado um número restrito de publicações no descritor, “Imagens Fotográficas no ensino da Educação Física”.
IMAGEM FOTOGRÁFICA
A história da humanidade foi e ainda é marcada pela presença da imagem como um dos principais mecanismos de comunicação entre os homens, que a utilizaram na forma dos mais variados suportes e técnicas, tais como “madeira, pedras, argila, osso, couro, materiais orgânicos em geral, metais, papéis, acetatos, suportes digitais, […] desenho, pintura, escultura, fotografia, cinema, televisão, web […]” (RAMOS, 2007, p.1).
Como a ciência mostra, 75% da percepção humana é visual. Depois vem a percepção auditiva (20%), enquanto outras modalidades somam juntas apenas 5% de nossa capacidade de perceber o mundo que nos cerca. (BRASIL, 2005, p. 61).
Segundo Simson (2005), por volta da década de 1930, houve o surgimento de máquinas fotográficas de simples utilização, e acessíveis aos grupos sociais em termos financeiros, o que facilitou a aquisição deste tipo de equipamento. Com isso, o dia-a-dia dos indivíduos passou a ser muito mais registrado pela imagem fotográfica, do que pelos diários, cartas ou outras formas de arquivo. Desde então, este tem sido o suporte imagético que mais orienta a reconstrução de momentos passados, guardados ou não em nossa memória.
A palavra fotografia, em um contexto mais técnico, vem do grego: foto que significa “luz”, e grafia, que significa “escrever”, “gravar”, ou seja, o registro de imagens produzidas pela ação da luz sobre papel sensível. Esse material fotossensível pode ser, como nos primórdios da fotografia, “uma placa iodada, única, rara e cara como uma jóia”, (ANDRADE, 2002, p. 34).
Desde o seu surgimento e ao longo de sua trajetória, até os nossos dias, a fotografia tem sido aceita e utilizada como prova definitiva, “testemunho da verdade” do fato ou dos fatos. Graças a sua natureza fisicoquímica – e hoje eletrônica – de registrar aspectos (selecionados) do real, tal como esses fatos se parecem, a fotografia ganhou elevado status de credibilidade (KOSSOY 2002, p. 19).
De acordo com Sebata (2006), nas artes, a imagem está diretamente relacionada com a representação visual – como afrescos e pinturas – e mais atualmente com filmes, vídeos e animações. Já Johnson-Laird (1983), considera que, na psicologia, as imagens são visualizações internas de um modelo, ou da linguagem visual pode facilitar a aprendizagem dos estudantes.
Segundo Kossoy (2007, p. 61), a imagem fotográfica vai além do que mostra em sua superfície. Naquilo que não tem explícito, o tema registrado tem sua explicação, seu porquê, sua história. Seu mistério se acha circunscrito, no espaço e no tempo, à própria imagem. Isto é próprio da natureza da fotografia: ela nos mostra alguma coisa, porém seu significado a ultrapassa.
A imagem melhora seu potencial pedagógico quanto mais complexa é sua capacidade de representar o conteúdo com o qual se relaciona. Outro fator observado é que as imagens auxiliam mais em textos complexos do que nos simples.
Além disso, as imagens e o texto devem formar um corpo de informação coerente. No caso das informações multimídia, imagem e texto integrados têm maior eficiência do que quando aparecem separados ou somente é apresentado o texto. Assim, é preciso que o autor das imagens (professor ou autor do livro didático) se atente para esses cuidados durante o processo de sua produção para que apresentem um maior potencial pedagógico, (PERALES, 2002 p. 369).
Segundo Monteiro (2001), utilizar a imagem em atividades na escola é refletir com os alunos a respeito das múltiplas representações de uma imagem e, de como podem ser manipuladas. A imagem não deve ser utilizada como forma de poder, favorecendo a alguém; deve permitir uma interpretação individual, através da relação: imagem X emoção. A interpretação de imagens (fotos, gravuras, manchetes de jornal) é uma importante atividade que pode ser realizada com alunos de qualquer idade com: a identificação do que está presente, e mais importante, do que está ausente nestas imagens, aprendendo a ver e treinando o olhar crítico, a capacidade de observação e interpretação e, muitas vezes identificando além dos próprios fatos, (MONTEIRO, 2001 p.27, 28).
De acordo com Ciavatta (2004), esclarece que no campo da Educação, a utilização da fotografia como fonte de pesquisa é um tema ainda pouco explorado, já que as referências para o seu estudo pertencem à área da Comunicação e da História. Além disso, a autora coloca que a sua utilização como fonte de pesquisa social esbarra no problema de saber utilizá-la como documento de reconstrução da realidade. Já Mauad (2004), temos que o uso da fotografia como fonte de pesquisa vem registrando a história numa linguagem de imagens há mais de cem anos, porém a sua utilização como objeto de investigação pela historiografia, para além de um inventário de técnicas e aparatos, é bastante recente.
Le Goff (1990), ao compreendermos a imagem fotográfica como documento e como monumento. Entende-se a fotografia como monumento quando atenta-se apenas para os registros visíveis, de pessoas e momentos, que foram deixados para as próximas gerações; registros esses que pertencem à realidade exterior. No entanto, a fotografia também pode ser compreendida como documento, quando, além das informações visíveis que a mesma oferece, procura-se compreendê-la buscando pelo oculto, e pelas diversas hipóteses que se pode criar sobre os personagens e os acontecimentos ali retratados. Neste caso, a fotografia, além de monumento, torna-se também um documento, no qual tanto a realidade exterior, quanto a interior, estão presentes. Tem-se, então, a realidade da fotografia (KOSSOY, 2005, p. 44).
Ainda Kossoy (2005), esclarece que a fotografia revela apenas o mundo físico, exterior, que corresponde ao detalhe material da vida que se resolveu mostrar. As situações, sensações e emoções que vivemos estão registradas sobre a forma de impressões – impressões essas que a fotografia não guarda, estão para além da imagem.
A linguagem fotográfica é vista como uma prática, que pode ser estimulada na escola […]. Colocando em foco as múltiplas formas de ver e ser visto, o ato fotográfico desponta como mais um caminho de problematização da vida, que nos permite, por meio da mediação técnica da câmara fotográfica, registrar, decifrar, ressignificar e recriar o mundo e a nós mesmos (LOPES, 2005, p.09).
Sendo assim de acordo com Barros (1992), que declara não estarmos desatentos às dificuldades metodológicas que o uso da fotografia enfrenta na pesquisa histórico-educacional. Estamos ainda dando os primeiros passos teóricos e éticos para a construção de uma epistemologia onde seja possível a leitura da imagem, superando o viés da pura ilustração ou confirmação, para adquirir um valor real do registro que ela contém. Pois, a imagem é, portanto, um recurso que, apesar das van¬tagens e desvantagens, pode ser utilizado no ensino. No entanto, quando utilizada adequadamente, representa um instrumento que pode proporcionar melhorias no processo de ensino e aprendizagem.
IMAGENS FOTOGRÁFICAS COMO RECURSO DIDÁTICO
foto03Segundo Oliveira (2007), um dos desafios da atualidade, no que diz respeito à melhoria do ensino, é o desenvolvimento de recursos didáticos que sejam capazes de despertar o interesse dos alunos para a aprendizagem e favorecer o professor com ferramentas que possibilitem melhorar o processo de ensino-aprendizagem.
A escola como instituição mediadora do processo comunicacional, pode agir reforçando ou ressignificando saberes e representações culturalmente internalizadas pelas imagens consumidas pelos alunos. Tarefa essa nada fácil, que exige trabalho integrado, multidisciplinar, conhecimentos técnicos e conceituais que propiciem a abordagem de imagens fotográficas de forma crítica (OROZCO, 1993).
A utilização de imagens tem grande importância no processo de ensino e de aprendizagem, pois estimulam a concentração dos alunos em relação ao conteúdo estudado, aumenta a receptividade deles, favorece o desenvolvimento pedagógico e ativa o raciocínio, já que são mais facilmente lembradas que a linguagem escrita e oral sendo, portanto consideradas facilitadoras. Cabendo ao professor saber explorar suas virtudes com base em uma análise crítica, tanto da imagem em si, quanto de sua utilização de forma correta e no momento adequado (SILVA et al., 2006).
O ambiente escolar precisa passar por transformações para enfrentar o mundo contemporâneo, e há a necessidade de educadores preparados para procedimentos didáticos que privilegiem a apropriação coletiva de conhecimentos mediados pelo uso da imagem, na qual o professor atuando como um intelectual transformador pode mediar e orientar esta construção (SILVA et al., 2006).
As fontes fotográficas são uma possibilidade de investigação e descoberta que promete frutos na medida em que se tentar sistematizar suas informações, estabelecer metodologias adequadas de pesquisa e análise para decifração de seus conteúdos, e por consequência, da realidade que os originou(KOSSOY, 2001, p.163).
De acordo com Felizardo (2000, p. 13):
Fotografar é conferir importância e o olhar é uma forma de conhecimento. (…) Palavra e imagem, por sua vez, sempre andam juntas, ora se completando, ora brigando, ora se separando, ora se juntando. Não importa. As duas formas de expressão são necessárias para o relato, para as histórias que queremos contar. E quando uma vem para enaltecer a outra, é per feito.
O uso da fotografia no ensino, bem como de outros meios iconográficos, coloca-se como uma questão extremamente atual, na qual a cultura visual contemporânea, dominada pelas técnicas recentes, especialmente os meios informáticos. Estes devem levar as pessoas a terem “outras operações lógicas, outros modos de cognição, outros códigos de memorização, outras maneiras de se organizar sócio culturalmente neste único planeta” (SAMAIN, 1994, p. 292), pois os diversos meios de comunicação humana influenciam o modo do pensamento, bem como suas formas de organização.
Apesar de estarmos vivendo na chamada “era da imagem”, os educadores de maneira geral ainda não utilizam métodos de ensino, que façam da imagem o ponto de partida para a construção do conhecimento. Ainda há um predomínio da linguagem oral e escrita, “restringindo o suporte visual meramente à ilustração de um conhecimento dado como devidamente elaborado” (MOLINA, 2007.p.24).
De acordo com Dondis (1997),
[…] Os elementos visuais constituem a substância básica daquilo que vemos, e seu número é reduzido: o ponto, a linha, a forma, a direção, o tom, a cor, a textura, a dimensão, a escala e o movimento. Por poucos que sejam, são a matéria-prima de toda informação visual em termos de opções e combinações seletivas. […]. (DONDIS, 1997, p. 51).
Segundo Fantin (2006), a fotografia, enquanto imagem presente em várias instâncias comunicacionais: revistas, jornais, TV, publicidade, entre outros, pode constituir-se também num importante aliado pedagógico do professor, nas suas três dimensões sugeridas pela mídia-educação enquanto objeto de estudo/análise, como ferramenta/instrumento de ensino para apropriação de conhecimentos, e na forma de conteúdo produzido pelos sujeitos/alunos.
Como afirma Libâneo (1998, p. 40):
As mudanças tecnológicas terão um impacto cada vez maior na educação escolar e na vida cotidiana. Os professores não podem mais ignorar a televisão, o vídeo, o cinema, o computador, o telefone, o fax, que são veículos de informação, de comunicação, de aprendizagem, de lazer, porque há tempos o professor e o livro didático deixou de serem as únicas fontes do conhecimento. Ou seja, professor, alunos, pais, todos precisamos aprender a ler sons, imagens, movimentos e a lidar com eles.
Para Porcher (1982), é de grande necessidade, mostrar aos educandos que as imagens que eles consomem não são neutras, que são criadas a partir de certas necessidades e ideologias, desmistificando a confusão que se faz entre a realidade e sua imagem. Seja de qualquer formato que se constitua a imagem é incontestável seu poder de transmitir mensagens, sejam elas sobre uma determinada realidade, tempo ou espaço.
Realizando buscas sobre as pesquisas que foram desenvolvidas nos últimos anos tendo a imagem fotográfica como recurso didático, encontramos uma realizada em 2011, intitulada “O uso da fotografia como recurso didático para a educação ambiental: uma experiência em busca da educação problematizadora”. Neste artigo, relata-se a análise e avaliação de fotografias como recurso didático para o trabalho com educação ambiental. Identificou-se, como resultado, o potencial positivo das fotografias como material didático promotor do diálogo, principalmente quando elas se referem às situações conhecidas dos estudantes.
Outra pesquisa desenvolvida “A fotografia como elemento identificador do conceito de educação física”, teve como proposta demonstrar a importância do uso da fotografia como uma via de acesso educacional para repensar sentidos e significados acerca do conceito de Educação Física. Foi organizada uma atividade acadêmica com a turma de Fundamentos da Educação Física do curso em Licenciatura em Educação Física do campus Ulbra Guaíba 2010-11, na qual todos os acadêmicos deveriam selecionar/produzir uma foto que trouxesse o significado do que é a Educação Física.
Cabe aqui uma referência a estudo de Costa (2006), também pesquisador do grupo de autores que, em sua investigação, buscou compreender como indumentária e adereços utilizados por estudantes do ensino médio, além de símbolos comunicacionais, constituem-se também em identidades corporais provisórias. A fotografia foi à forma de registro adotada para o acompanhamento da formação dos grupos e subgrupos, a ocupação de espaços da sala de aula e nos externos a ela, as interações intergrupos, etc. Aos serem devolvidas aos grupos, as fotos serviram de elemento mediador de reflexões sobre os seus “movimentos” coletivos iniciais, os agrupamentos, as acomodações, tendo as roupas e outros elementos da moda como catalisadores destas aproximações e de afastamentos.
Entendendo o professor como mediador do processo educativo, este pode utilizar a imagem fotográfica como um instrumento simbólico para que a criança se aproprie do conhecimento. A mediação é um conceito fundamental na teoria de L. S. Vygotsky, uma vez que esta é a ação onde “a relação do homem com o mundo não é uma relação direta, mas uma relação mediada, sendo os sistemas simbólicos os elementos intermediários entre o sujeito e o mundo”. (OLIVEIRA, 1993, p.24).Pois, de acordo com Leontiev, a comunicação é essencial para a aprendizagem, pois é por meio dela que as interações são constituídas e os objetos vão ganhado significado.
Pensando a prática pedagógica sob a ótica da “remoção de barreiras à aprendizagem” (Carvalho, 1998), argumenta que a fotografia pode ser tomada como uma importante linguagem a ser explorada no processo de construção de conhecimento e narrativas, de busca de sentidos e significados.
Nesta perspectiva, um material que pode se muito utilizado nas aulas de Educação Física são as imagens fotográficas, afinal são ferramentas educacionais eficazes e criativas que conscientizam de forma lúdica tanto os professores quanto os alunos, fazendo com que esses assimilem o conteúdo. As possibilidades de sua utilização em sala de aula são bastante amplas e apresentam particularidades metodológicas, cumprindo com o papel de orientação para o desenvolvimento de novas ferramentas pedagógicas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Sem dúvida alguma, a utilização de imagens fotográficas vem como uma proposta de dinamização das aulas de Educação Física e uma tentativa de fuga a modelos tradicionais de ensino, havendo, assim, a valorização mútua dos sujeitos inseridos nesse processo educacional, isto é, a valorização dos conhecimentos tanto dos professores quanto dos alunos, deixando mais de lado aquele modelo de aprendizagem que se dá através da leitura oral e verbal, para a utilização dos sentidos, a utilização da visão.
As imagens fotográficas são de suma importância no desenvolvimento cognitivo do aluno e para a sua formação critica, uma vez que aquilo que ele pode visualizar, subsequente a sua compreensão, deverá existir um esforço mental que seja capaz de codificar cada informação trazida nas imagens. Como também, promover a aprendizagem, situações de interação, reconhecimento e construção da autoimagem, favorecer as trocas e a percepção do outro e, das igualdades e diferenças.
Desse modo, o uso de imagens torna-se uma opção relevante para a prática pedagógica. Portanto, existem várias maneiras de utilizar as imagens na sala de aula e cabe ao professor adotar em sua prática o uso destas de acordo com os objetivos pedagógicos pretendidos.
Sendo assim, cabe aos professores, se preocuparem com a sua permanente atualização de conhecimentos, se permitindo reconhecer na possibilidade de trabalho pedagógico com as imagens no ensino da Educação Física, sejam elas impressas, televisivas, ou provenientes da rede telemática, uma saída para o mundo real que vem se desenvolvendo rapidamente fora das salas de aula, graças aos avanços tecnológicos.
REFERÊNCIAS
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Por: Revista Professor - Educação Online

FNDE transfere R$ 859 milhões do salário-educação

Escrito por  Assessoria de Comunicação Social do FNDE
FNDE transfere R$ 859 milhões do salário-educaçãoTereza Sobreira/MEC
Os recursos referentes à parcela de agosto do salário-educação estarão disponíveis a partir de segunda-feira, dia 14, nas contas correntes de estados, municípios e do Distrito Federal. No total, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) transferiu R$ 859 milhões aos entes federativos na última quinta-feira (10). O repasse feito a cada beneficiário pode ser conferido no portal eletrônico do FNDE (www.fnde.gov.br), emLiberação de recursos.
Ao lado do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o salário-educação é uma das principais fontes de recursos para a manutenção e o desenvolvimento do ensino. Trata-se de uma contribuição social recolhida de todas as empresas e entidades vinculadas ao Regime Geral da Previdência Social. A alíquota é de 2,5% sobre a folha de pagamento.
Após a arrecadação, feita pela Receita Federal, cabe ao FNDE repartir os recursos, sendo 90% em quotas estadual/municipal (2/3) e quota federal (1/3), e 10% para serem utilizados pela autarquia em programas e ações voltados à educação básica.
Distribuída com base no número de matrículas no ensino básico, a quota estadual/municipal é depositada mensalmente nas contas correntes das secretarias de educação. Já a quota federal é destinada ao FNDE, para reforçar o financiamento da educação básica, com o intuito de reduzir os desníveis socioeducacionais entre municípios e estados.
Por: Portal FNDE

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

ABED discute o novo marco regulatório para a Educação a Distância em visita ao Presidente da CAPES


A ABED foi recebida em audiência pelo Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES, Prof. Dr. Carlos Nobre, que se fez acompanhar pelo Diretor de Educação a Distância do mesmo Órgão, Prof. Dr. Jean Marc Mutzig, este último responsável pela articulação do Programa Universidade Aberta do Brasil - UAB. O encontro aconteceu em Brasília (DF), dia 26/08/2015, tendo a ABED sido representada pelo Diretor Prof. Dr. Luciano Sathler, a Secretária Executiva Beatriz Roma Mathos e o Prof. Marcos Formiga, associado fundador e ex-vice-presidente da Associação. Prof. Fredric Litto, Presidente da ABED, não pôde estar presente à ocasião por um imprevisto de última hora.
 
Por ocasião da visita, a ABED apresentou ao Presidente da CAPES algumas das contribuições da Associação para a disseminação do conhecimento relacionado à Educação a Distância no Brasil, tais como o Censo Anual ABED da EAD e a Revista  Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Distância. Também foi apresentado o 21º Congresso Internacional ABED de Educação a Distância, a se realizar de 25 a 29/10/2015, na Cidade de Bento Gonçalves (RS), sendo o Prof. Carlos Nobre convidado para se fazer presente.
 
O novo marco regulatório em discussão pelo Conselho Nacional de Educação – CNE foi um dos tópicos da conversa, tendo a ABED manifestado sua preocupação quanto ao longo tempo decorrido desde o início da discussão, a falta de encaminhamento junto ao MEC e a necessidade de que outros instrumentos legais, regulatórios e de supervisão sejam também revistos com a maior brevidade possível, de maneira o mais dialogada possível com a Sociedade, para permitir a ampliação com qualidade da Educação a Distância no país. Uma das ênfases principais é a urgência de expandir a oferta por mais Instituições de Educação Superior e de Educação Básica interessadas em atuar com a modalidade.
 
A ABED se colocou à disposição para colaborar nas discussões com vistas à regulamentação do Artigo 25º do Decreto 5.622, de 19/12/2005, que determinou à CAPES a edição de normas complementares para a oferta de Pós-Graduação Stricto Sensu a distância, uma prática já sacramentada em países desenvolvidos, tais como Inglaterra e Espanha. Foi sugerida a realização de alguns simpósios regionalizados, com convidados nacionais e internacionais, que permitam avançar com o assunto junto aos programas de mestrado e doutorado em todo o país.
 
Uma preocupação também abordada foi a crise da UAB, fortemente atingida pelo contingenciamento orçamentário imposto à CAPES, o que tem afetado milhares de estudantes, tutores e professores ao redor do país. A ABED considera que é importante ampliar o debate e dar maior visibilidade ao assunto, com apresentação dos resultados dos últimos anos e até ser verificada a possibilidade de ampliar a atuação da UAB por meio de parcerias público-privadas que ampliem a democratização do acesso à Educação Superior, tanto para beneficiar docentes no exercício de sua profissão quanto atender a demanda social de novos professores que precisam ser formados em cursos de licenciatura.
 
O Prof. Carlos Nobre se manifestou quanto à tendência de aproximação que a educação presencial tem com a EAD, na hibridização de tecnologias e metodologias que servem a ambas as modalidades. Se comprometeu também em avançar com a discussão no âmbito da CAPES, especialmente na questão da formação de professores e a UAB, além de apresentar ao Ministro da Educação algumas das questões levantadas pela ABED. 

abed-capes



















Da esquerda para a direita: Prof. Dr. Jean Marc Mutzig (Diretor de Educação a Distância da CAPES), Prof. Dr. Carlos Nobre (Presidente da CAPES, Beatriz Roma Marthos (Secretária Executiva da ABED), Prof. Marcos Formiga (associado fundador e ex-vice-presidente ABED) e Prof. Dr. Luciano Sathler (Diretor ABED).


Por ABED - Associação Brasileira de Educação a Distância.

sábado, 11 de abril de 2015


 CNTE, na qualidade de entidade filiada à Central Única dos Trabalhadores (CUT), convoca seus sindicatos filiados para a mobilização nacional organizada pelas Centrais Sindicais e Movimentos Sociais, nos estados, em defesa dos direitos dos/as trabalhadores/as brasileiros/as e contra o Projeto de Lei nº 4.330/2004, que impõe a liberalização geral da terceirização para qualquer área, atividade ou setor produtivo das empresas privadas, públicas e de economia mista.

O PL 4.330 representa o maior ataque do setor empresarial contra os direitos da classe trabalhadora na história do país. Além de ampliar os limites da terceirização para as atividades-fim das empresas – contrariando a atual regra que limita a terceirização em atividades-meio –, o Projeto abre precedente para ampla terceirização no setor público (administração direta, autárquica e fundacional).

Estudos revelam que os/as trabalhadores/as terceirizados recebem 25% menos que os contratados diretamente pelas empresas, além de trabalharem, em média, 3 horas a mais. Em função de não receberem formação profissional periódica, os acidentes de trabalho predominam entre os terceirizados.

Atualmente, o Brasil conta com cerca de 12,7 milhões de trabalhadores/as terceirizados/as (26,8% do mercado de trabalho), podendo essa forma de contratação atingir mais de 40 milhões de trabalhadores/as em poucos anos. Ou seja: o Parlamento Nacional está impondo a precarização do trabalho no Brasil em benefício dos lucros das empresas, que financiam campanhas eleitorais e que são representadas por quase metade dos deputados e senadores (a bancada empresarial compreende 45% do Congresso Nacional!).

Diante desse cenário tenebroso, os/as trabalhadores/as em educação se unem à luta dos demais trabalhadores/as contra o PL 4.330/04, e antecipam a resistência da categoria contra a terceirização nas escolas públicas – uma triste realidade em muitos lugares do Brasil –, e também contra a fragilização das carreiras profissionais e da organização sindical, direitos seriamente ameaçados pelo nefasto projeto da terceirização ilimitada.



Brasília, abril de 2015
Diretoria Executiva da CCNE

Por CNTE

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Escola de qualidade requer mais que bons diretores

A campanha publicitária do MEC convocando a sociedade para sugerir boas práticas aos diretores escolares, infelizmente, contém mais erros que acertos.

A primeira falha consiste em hierarquizar as funções escolares. Além de diretores, as escolas precisam de professores e funcionários administrativos com boa formação inicial e continuada e amplamente valorizados por meio de salários e carreiras decentes, jornadas de trabalho compatíveis com a profissão e condições estruturais nas escolas para o exercício das atividades pedagógicas.

Com raras exceções, as direções escolares no Brasil são exercidas por professores e (em alguns casos) por funcionários administrativos, razão pela qual não há motivo algum para se hierarquizar as funções (ou cargos) escolares. O que falta, sem dúvida, são condições materiais e pedagógicas para o desempenho de boas práticaspor esses profissionais, e isso depende sim de ações firmes do Estado.

Outra inconsistência da campanha diz respeito ao conceito de gestão democrática, que não se resume numa simples consulta à sociedade sobre um tema específico. Os espaços públicos (fóruns, conselhos, parlamentos etc) e a própria escola devem priorizar debates de profundidade para orientar as políticas públicas educacionais, tal com se dá nas conferências de educação.

Exemplo de sugestão orgânica exitosa é o programa do MEC, em estado de hibernação, que visa qualificar os Conselhos Escolares responsáveis em auxiliar as direções das escolas na condução das ações eleitas pela comunidade. Quisera o MEC convocar corretamente a sociedade para fazer parte das decisões da escola, o caminho plausível seria através do incentivo à instalação e funcionamento de Conselhos em todas as escolas, com representações de professores, funcionários, estudantes e pais, eleitos democraticamente pela comunidade, tal como também deveriam ser eleitos os diretores das escolas.

A propaganda do MEC chama a atenção, ainda, por desconsiderar milhares de propostas de amplos setores da sociedade, representados nas duas conferências nacionais de educação, causando estranheza e temeridade quanto aos rumos das políticas do Ministério, que parecem buscar soluções rápidas e pouco aprofundadas ao invés de se aterem em políticas públicas de promoção de todos os profissionais da educação, em investimento direto nas escolas e na promoção da democracia para incentivar o engajamento da comunidade com suas escolas.

Mais que qualquer outra coisa, inclusive propaganda, a escola pública precisa que sua comunidade, de forma organizada e democrática, tome partido nas decisões voltadas para a melhoria da qualidade da educação.

Por CNTE

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Resolução da Direção Executiva da CUT - Petrobrás é nosso

A Direção Executiva da CUT, reunida em São Paulo no dia 10 de fevereiro de 2015, avaliou a gravidade da crise que afeta o país e reafirmou o papel da Central na defesa dos interesses históricos e imediatos da classe trabalhadora.

A crise é uma das mais graves da nossa história recente, atinge a economia e a política, gera um cenário de incerteza, favorece o fortalecimento dos setores da sociedade que se opõem ao governo e que, apoiados pela mídia golpista, ameaçam com a desestabilização da ordem democrática.

A CUT é desafiada, nessa conjuntura, a representar os interesses dos milhões de trabalhadores(as) que tiveram suas expectativas frustradas com a política econômica adotada pelo governo, de caráter regressivo e recessivo, que penaliza os(as) trabalhadores(as) com a retirada de direitos e com a ameaça do desemprego. A CUT reafirma a defesa do modelo de desenvolvimento exposto na Plataforma da CUT, apresentada nas últimas eleições, e do projeto político vitorioso nas urnas. A crise se combate com o crescimento econômico, com a inclusão social e a diminuição das desigualdades, com o fortalecimento dos sindicatos e a democratização das políticas públicas. Direitos devem ser ampliados, nunca diminuídos.

A CUT teve origem nas lutas no local de trabalho contra a exploração dos(as) trabalhadores(as) e nas lutas dos movimentos de massa, que ocuparam as ruas combatendo a ditadura, o imperialismo e exigindo a democracia. Neste momento de crise, devemos ocupar novamente as ruas em defesa do emprego, dos direitos, da Petrobrás e da Reforma Política. Devemos levar essa luta aos locais de trabalho. A CUT reafirma sua posição contrária às MPs 664 e 665 e defende uma proposta de política tributária que taxe os ricos, não os trabalhadores(as). A Petrobrás é nossa, pertence ao povo brasileiro. Foi conquistada na luta e será defendida na luta. Jamais aceitaremos sua privatização. Seus recursos devem ser aplicados no desenvolvimento do país, em especial na educação. Corrupção se combate com Reforma Política e esta se faz através de uma Constituinte Exclusiva e Soberana em relação ao poder econômico, aos partidos e ao governo.

Levando em conta este cenário, a CUT desenvolverá uma ampla mobilização de suas bases e ações de massa, junto com os movimentos sociais, em torno dessas bandeiras: defesa dos direitos, defesa da Petrobrás e defesa da Reforma Política. Manteremos também vigilância no Congresso Nacional para impedir que nossos direitos sejam retirados, com especial atenção ao PL4330 da terceirização. Pressionaremos para que o governo nos ouça e atenda nossas reivindicações.

Conclamamos, portanto, os trabalhadores(as) de todo o país a engrossar nossas fileiras nas mobilizações previstas para o próximo período:

Dia 24/02 – Lançamento do manifesto em Defesa da Petrobrás, no Rio de Janeiro.
Dia 04/03 - Abertura do CONCUT e ato no Congresso Nacional – Brasília.
Dia 13/03 - Manifestação em São Paulo e capitais do país em defesa dos direitos, da Petrobrás e da Reforma Política.
Marcha da Classe Trabalhadora, com as Centrais Sindicais, em data e local a serem definidos.

Petrobrás é nossa! Corrupção se combate com Reforma Política! Direitos se ampliam e não se reduzem! Não às MPs 664 e 665! Não ao PL4330!

(CUT, 12/02/2015)
Por CNTE

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Aumenta o número de professores que abandonam as salas de aula

O Jornapresentoul apresentou na segunda-feira (02), uma série especial de reportagens sobre a situação dos professores no Brasil.

É uma profissão que todo mundo elogia, todo mundo concorda que é fundamental, mas que tem despertado o interesse de um número cada vez menor de brasileiros. Os motivos disso estão em discussão na reportagem da Graziela Azevedo e do Ronaldo de Sousa.

O Brasil tem uma necessidade urgente na escola. O país tem uma promessa: "Nosso lema será: Brasil pátria educadora”, afirmou a presidente Dilma Rousseff no discurso de posse.
E um grande desafio: “O apagão já começou há muito tempo. O déficit de professores nas áreas de química, física, matemática e biologia é da ordem de 150 mil professores” conta o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos.

“Eu fiquei dois anos sem professor de matemática. Na 5° e na 6° série. Então até hoje eu tenho muita dificuldade”, conta a estudante Larissa Souza.

“Fiquei trocando de professor de história na 8° série cinco vezes”, reclama um aluno.
Aqueles que poderiam ser futuros professores também estão sumindo dos cursos universitários de formação.

Acontece nas faculdades particulares: “Na licenciatura de pedagogia, sempre no primeiro semestre é lotada. São 60, quase 70 alunos e vai diminuindo. O pessoal do 6°semestre, nós temos 10 alunos”, explica Carolina Gato, estudante de Matemática e Pedagogia.

Nas universidades públicas a desistência também é notória: “Porque as lacunas começam a aparecer, então coisas que deveriam ter aprendido no ensino médio não aprenderam e aí chega na hora da prova tira zero, tira 2 na prova. Vira uma bola de neve e abandona o curso”, conta Rebeca Omelczuck, estudante de Física.

Mas e quem ficou? Como estão os professores que levaram seus cursos até o fim e estão encarando as salas de aula?

É o que o Ministério Público quer descobrir. Em Novo Gama, município pobre e vizinho à Brasília, as promotoras de justiça mobilizaram mães, pais, servidores públicos e conselheiros da cidade para obter respostas.

A auditoria cívica é o nome que o Ministério Público deu para o trabalho dos cidadãos que querem melhorar a educação na sua comunidade. Um trabalho que ao Jornal Nacional acompanhou.
Trazendo questionários e vontade de conhecer melhor as escolas públicas, eles se espalham. Parte da tarefa é conversar com os professores. As carências vão aparecendo.

“Falta tudo. Igual folha para tirar cópia para a prova, por exemplo. A gente tem que pedir para os meninos, tem que ir comprar. Chove e a sala fica praticamente alagada”, conta a professora Marta Costa Alves.
Uma realidade tão dolorida que as palavras começam a vir acompanhadas de lágrimas.
Marta Giovana Costa Alves, professora: Quando me deparei em uma sala de aula e vi as dificuldades ali eu não queria estar mais ali.

Jornal Nacional: Você se sente sozinha?
Marta: Nossa.
Assim, à flor da pele, a professora confessa não se sentir mais um modelo para os seus alunos.
Marta: A criança tem que olhar pra mim e ver em mim futuros, sonhos. E eu acredito que as crianças não estão conseguindo ver no professor mais isso.
Jornal Nacional: O que elas veem?
Marta: Um professor cansado, desmotivado, triste.

A entrevistadora, que também é professora, desaba junto.
Jornal Nacional: E a senhora chora por que?
Pesquisadora: Porque são 23 anos, quase aposentando, e as palavras dela são as minhas

Depois da entrevista, a professora Marta enxugou as lágrimas e voltou para a sala de aula, mas muita gente que se forma nem chega a entrar em uma. A desvalorização da profissão é o grande motivo. Para ganhar mais com menos estresse, os professores acabam fora das escolas.

A conclusão é de um pesquisador que cruzou os dados de vagas oferecidas e docentes formados ao longo de duas décadas. O levantamento mostrou que, com exceção da disciplina de Física, o número de docentes formados daria para atender a demanda no país.

“Não faltam professores formados então o que está acontecendo é que essas pessoas se formam e ou não ingressam na profissão ou ingressam e se desestimulam e saem. Enquanto um professor formado em nível superior ganhar metade do que ganha um economista, do que ganha um advogado, do que ganha um jornalista, quer dizer, não tem como atrair a pessoa para a profissão”, afirma o pesquisador da USP Marcelino de Rezende Pinto.

Para o novo ministro da Educação a valorização do professor passa por aumento de salário.
“Se você não tiver salários com perspectiva de aumento de salário, você não vai ter as melhores vocações se dedicando ou escolhendo o magistério como sua profissão”, conclui o ministro da Educação Cid Gomes.

O piso da categoria para 40 horas por semana, passou este ano de R$ 1.617 para R$ 1.917. Mas, para a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, deveria ser de pelo menos R$ 2.900. Sem falar que nem todos os estados pagam o que a lei determina.

O resultado é o abandono da profissão. Oferta de emprego em empresas e bancos não falta.
“Eles vivem batendo na sua porta, oferecendo salários muito atraentes e que acabam levando muitos colegas da física para outras áreas”, conta o estudante de Física Carlos Otobone.
Mas é na sala de aula que os bons professores precisam estar. Disso ninguém tem dúvida.
“Temos que pensar de fato em uma política integrada que tem como elemento central o professor porque o pessoal discorda de tudo, mas há um consenso: o professor faz a diferença”, diz Marcelino.

Veja o vídeo: http://g1.globo.com/jornal-nacional/edicoes/2015/02/02.html

(Rede Globo - Jornal Nacional - 02/02/2015)

Por CNTE


sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Mais verbas para o piso do magistério e para a educação pública

O reajuste do piso do magistério em 13,01% - válido a partir de 1º de janeiro de 2015 - suscitou nova onda de críticas de gestores públicos, que alegam dificuldades financeiras para arcar com os novos salários.

Diante da atitude contraproducente de alguns gestores - que desde a aprovação da Lei 11.738 tentam, sem sucesso, inviabilizá-la política e judicialmente -, a CNTE propõe uma ação coletiva envolvendo governos e sociedade civil no sentido de construir estratégias para a viabilidade da meta 20 do Plano Nacional de Educação.

O PNE prevê elevar o investimento público em educação ao patamar de 10% do PIB, o que não somente reforçará as condições para a valorização do magistério e dos demais trabalhadores escolares (na perspectiva de cumprimento das metas 17 e 18), como viabilizará melhorias para a oferta escolar em todo país.

Um primeiro passo nessa direção diz respeito à regulamentação dos royalties do petróleo e do Fundo Social da União, até então desprovidos de critérios republicanos e que atendam às demandas do conjunto dos entes que ofertam a educação básica no país. Para 2015, o orçamento da União estima receita de R$ 8,7 bilhões oriunda dessas fontes, e mesmo que haja revisão do valor em decorrência da queda no preço internacional do petróleo, uma boa quantia certamente será arrecadada.

Outro compromisso importante e imediato refere-se à regulamentação dos royalties do petróleo e de gás natural destinados aos estados e municípios pela Lei Federal 12.351/2010, sobre a qual se mantém pendente o julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal. E, independente da questão jurídica, é importante que os entes da federação destinem seus recursos provenientes da exploração de hidrocarbonetos para o financiamento da educação e da saúde, respectivamente nas proporções de 75% e 25%, seguindo a orientação da Lei Federal 12.858.

Também há outras medidas para o incremento do financiamento educacional - sobretudo as indicadas pelas Conferências Nacionais de Educação - que devem ser implementadas tanto em nível nacional como nos estados e municípios, entre elas, a criação do Imposto sobre Grandes Fortunas, a taxação do capital volátil que transita nos mercados de capitais e o incremento nos percentuais de vinculação constitucional, que desde 1988 abarcam 18% dos impostos da União e 25% de impostos dos estados, DF e municípios, desconsiderando, porém, importantes Contribuições Sociais que também podem passar a integrar as receitas da educação.

Não obstante o esforço para se aumentar no curto e no médio prazos o financiamento da educação, é preciso, ainda, ajustar as contas estaduais e municipais para evitar desperdícios e desvios de verbas que minam a capacidade de gestão das redes públicas de ensino. Com esta medida, e mais o comprometimento imediato da União em regulamentar o repasse para pagamento do piso aos entes que efetivamente comprovarem incapacidade financeira, certamente a Lei do Piso será cumprida por todos os gestores, sem necessidade de uma nova batalha judicial que não condiz com as promessas eleitorais.

Os trabalhadores em educação estão prontos para atuar junto com os gestores em defesa de mais verbas para a educação pública, porém não tolerarão o descumprimento da Lei do Piso